Quem ensina cidadania também pode ensinar pelo exemplo. Desde o dia 20 de maio, professores e servidores da educação municipal de Rio Branco estão em greve por tempo indeterminado, com concentração na Praça da Revolução, em frente à Prefeitura. O movimento, legítimo e garantido pelo direito de manifestação, tem reunido trabalhadores da rede municipal em defesa de suas pautas.
Mas, enquanto a mobilização segue, outro grupo de servidores públicos também tem sentido os reflexos da ocupação do espaço: os profissionais da limpeza urbana. Garis e Margaridas que atuam diariamente na região central relatam que o trabalho dobrou nos últimos dias por causa do acúmulo de resíduos deixados na praça, nos monumentos e no chão, mesmo com a reposição de sacos nas lixeiras.
Logo nas primeiras horas da manhã, as equipes da Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade fazem a limpeza do espaço, recolhem o lixo e organizam a área para garantir melhores condições de uso à população. No entanto, ao longo do dia, novos resíduos acabam sendo descartados em locais inadequados, exigindo retrabalho dos servidores.
A situação levou a Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade a fazer um apelo por bom senso, educação ambiental e respeito ao espaço público. O secretário Tony Roque destacou que a gestão não é contra manifestações, mas reforçou que o direito de protestar deve caminhar junto com o dever de preservar a cidade limpa.
“Nós não somos contra qualquer manifestação. É direito do cidadão, é direito do funcionário. Agora, eu aproveito a situação para nós somarmos e levarmos bons exemplos. O destino do resíduo sólido é na papeleira, é na caixa de coleta. O Gari e a Margarida trabalham continuamente, faça sol, faça chuva. Nós, que somos da administração pública, temos que mostrar bons exemplos”, afirmou o secretário.
Tony Roque também alertou que o descarte irregular de resíduos causa danos ao meio ambiente e pode configurar infração ambiental.
“É uma questão de bom senso e educação ambiental. Não se deve destinar resíduo em lugar inadequado, porque isso contamina o meio ambiente. Nós fazemos esse apelo para que a população não polua e sempre coloque o resíduo sólido no local correto”, reforçou.
Entre os profissionais que atuam diretamente na limpeza da praça está a Margarida Léia da Silva. Segundo ela, o serviço aumentou desde o início dos protestos, e o pedido é simples: mais colaboração de quem utiliza o espaço.
“Depois que começaram esses protestos aqui, o trabalho dobrou. Nós estamos aqui para limpar, fazer a nossa parte, mas eles também precisam fazer a parte deles. É só ter um pouco de consideração e nos ajudar na limpeza, não ficar jogando lixo no chão”, disse Léia.
A servidora afirmou ainda que as lixeiras são mantidas com sacos e que a equipe faz a reposição diariamente. Mesmo assim, parte dos resíduos continua sendo deixada fora dos locais adequados.

“A gente recolhe toda a lixarada da lixeira, repõe outros sacos, não deixa lixeira sem saco. Mas, mesmo assim, ainda encontramos muita sujeira. Por serem professores, deveriam dar um bom exemplo”, completou.
A Praça da Revolução é um dos principais espaços públicos da capital acreana e recebe diariamente trabalhadores, estudantes, comerciantes, manifestantes e moradores que circulam pelo Centro. Para os profissionais da limpeza, manter o local limpo é uma responsabilidade compartilhada.
Mais do que uma questão de limpeza, o pedido é por respeito aos trabalhadores que começam o dia cuidando da cidade e por coerência com a educação cidadã que os próprios educadores ajudam a construir dentro das escolas.




