Estamos vivendo mais um daqueles anos eleitorais no Acre, em que quem busca chegar ao poder — ou se perpetuar nele — chega a fazer beicinho ou ficar de mal com quem não declara apoio à sua candidatura. Em alguns casos, rompe relações por muito pouco.
No Acre, sempre pesou o voto em troca de cargos, uma vez que o poder público nunca trabalhou de forma efetiva para proporcionar a instalação de grandes empresas no estado. Isso também se deve aos bastidores, onde quase sempre há alguém querendo tirar vantagem. Um exemplo disso é a tão falada e ainda inoperante ZPE.
Trata-se de um estado onde as empresas precisam trabalhar três vezes mais para sobreviver com o mínimo, devido à elevada carga tributária. Se esses recursos fossem aplicados de forma eficiente em benefícios para a população, todos os moradores seriam favorecidos.
Nos últimos anos, o que se tem observado é o êxodo de acreanos para outros estados da federação. Em outros tempos, era comum ver a capital cheia de pessoas que retornavam durante as férias após buscarem formação acadêmica em outras localidades.
Atualmente, Rio Branco tem se tornado uma cidade cada vez mais vazia. Muitos servidores moram fora, aposentados se mudaram e estudantes já não retornam após concluir os estudos. Não há como julgá-los; são pessoas que buscam uma melhor qualidade de vida, e não apenas benefícios momentâneos.
Com a saída de acreanos para outros estados, a chamada economia do contracheque também enfraqueceu. O dinheiro desse segmento, que ainda representa uma das principais forças da economia local, deixa de circular no Acre e passa a movimentar outros mercados.
Algum dos nomes que pretendem disputar o governo ou outros cargos eletivos fala sobre essa questão? São três senadores, oito deputados federais, 24 deputados estaduais e 21 vereadores na capital. Ainda assim, pouco se vê de propostas concretas para enfrentar esse problema. O mesmo pode ser dito do governo, que, além dos constantes apadrinhamentos, muitas vezes mais se parece com uma reunião de familiares do que com uma equipe formada por quadros técnicos.
Enquanto isso, aqueles que deveriam fiscalizar acabam limitando sua atuação à vista de suas janelas nos gabinetes. No máximo, o que vemos são notas midiáticas destinadas a acalentar o próprio ego e convencer a si mesmos de que algo está sendo feito.
Victor Augusto é jornalista, radialista, fotógrafo, acadêmico de Direito, repórter e empresário.




