MP pede prisão preventiva de suspeito no caso da médica morta no Acre

A Polícia Civil do Acre e a promotora de Justiça Luana Diniz Lírio Maciel, titular da Promotoria Criminal de Brasileia, pediram a prisão preventiva do advogado Francisco Valadares Neto, apontado como mandante do feminicídio da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos. O Ministério Público já havia solicitado a prisão do advogado em duas ocasiões, mas os pedidos foram indeferidos pelo Juízo Criminal da comarca.
Elyne foi assassinada enquanto estava sentada à mesa na calçada de um gastrobar, em Brasileia (AC), acompanhada de dois homens, uma mulher e uma criança. O autor dos disparos, já identificado pela polícia e foragido, aproximou-se por trás da vítima e disparou dois tiros de revólver contra sua cabeça.
Também foi requisitado ao Instituto de Administração Penitenciária os dados de monitoramento da tornozeleira eletrônica usada por Valadares. Os registros poderão ajudar a esclarecer os deslocamentos do advogado no período do crime.
O primeiro pedido de prisão foi apresentado em 25 de agosto, quando a médica preencheu o Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar), instrumento utilizado para identificar fatores de risco em situações de violência doméstica e familiar contra a mulher.
Em 15 de outubro, o Ministério Público voltou a requerer a prisão, diante do descumprimento das restrições de aproximação impostas ao advogado, de episódios de intimidação e do agravamento do risco relatado pela médica. Com o indeferimento dos dois pedidos, Valadares permaneceu em liberdade.
Antes de ser assassinada, Elyne chegou a acionar o botão do pânico enquanto estava na calçada do estabelecimento. O dispositivo permite que mulheres com medida protetiva enviem um alerta silencioso à central de monitoramento. O acionamento e os registros da tornozeleira deverão ajudar a reconstituir a sequência dos acontecimentos.
Os dois homens fogem e a amiga é quem socorre a médica.
Texto Altino Machado