Iniciativa começou em 2019, enfrentou resistências dentro da corporação e fortaleceu o trabalho de prevenção e acompanhamento de mulheres vítimas de violência doméstica.
A criação da Patrulha Maria da Penha no Acre representa um marco na atuação da Polícia Militar do Estado na proteção das mulheres. À frente da iniciativa, em 2019, o coronel Ezequiel Bino identificou a necessidade de uma estratégia específica para combater a violência doméstica e incentivar ações preventivas antes que novas agressões acontecessem.
Na época, a Polícia Militar já contava com unidades especializadas em áreas como trânsito, meio ambiente e segurança escolar, mas ainda não dispunha de uma estrutura voltada exclusivamente à proteção feminina. Diante desse cenário, Bino defendeu a criação de uma equipe preparada para acompanhar mulheres em situação de violência e contribuir para o cumprimento das medidas protetivas.
Segundo o coronel, a ideia “nasceu do coração”. A proposta, no entanto, precisou superar resistências dentro da própria instituição. Parte dos policiais questionava a destinação de profissionais para uma atividade diferente do patrulhamento convencional nas ruas.
Outro desafio foi romper barreiras culturais e preconceitos entre os integrantes da corporação. A adoção do braçal rosa sobre o uniforme, símbolo da patrulha, provocou brincadeiras e questionamentos naquele período. Mesmo diante das dificuldades, a iniciativa avançou e levou os primeiros policiais às ruas de Rio Branco.

Bino também defendeu o envolvimento de policiais homens na missão, como forma de demonstrar que o enfrentamento à violência de gênero é uma responsabilidade de toda a sociedade.
“Saibam, senhores, que vocês fazem parte de uma elite. É o nosso BOPE para a defesa das mulheres”, afirmou o coronel ao destacar a importância dos profissionais que integraram a equipe pioneira.
Com o passar dos anos, a Patrulha Maria da Penha ampliou sua atuação. Além do acompanhamento de mulheres com medidas protetivas, o trabalho passou a incluir ações itinerantes, com oferta de suporte jurídico e psicológico em bairros periféricos, áreas rurais e municípios do interior, por meio do Ônibus Lilás.
A iniciativa consolidou uma nova frente de atuação da Polícia Militar do Acre, aproximando a instituição de mulheres que precisam de apoio e acompanhamento para enfrentar situações de violência doméstica.
Ao relembrar a trajetória do projeto, o coronel Ezequiel Bino destaca a dedicação dos policiais que participaram dessa construção. A experiência também evidencia a importância de políticas públicas que vão além da resposta à ocorrência policial e investem na prevenção, no acolhimento e na proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade.




