Diversas movimentações no futebol do clube serão afetadas com adeus do dirigente
São Paulo – O ambiente de festa e euforia pela conquista da Copa do Brasil deu lugar a um cenário de incerteza no Corinthians após a saída do diretor executivo Fabinho Soldado. A mudança, oficializada na noite de terça-feira, impacta diferentes frentes do futebol corintiano.
A principal delas é a montagem do elenco para 2026, com chegadas e saídas de jogadores.
Fabinho era quem estava à frente das conversas para renovações contratuais e com o estafe dos atletas que podem retornar de empréstimo. Era ele também quem mantinha contatos internos e externos para tratar de reforços.
Dentro do Corinthians, ele fazia reuniões frequentes com a comissão técnica de Dorival Júnior e com o gerente de análise de mercado, Renan Bloise, seu braço-direito. Fora, conversava com empresários e dirigentes de outros clubes para mapear o mercado da bola.
Agora, as conversas relacionadas a transferências devem ficar congeladas temporariamente.
Daqui a oito dias se encerrarão os contratos do lateral-esquerdo Fabrizio Angileri e dos atacantes Ángel Romero e Talles Magno. O argentino vinha negociando há meses para permanecer, mas sem acerto. Já os outros dois não estão nos planos para 2026.
Maycon é uma exceção, já que o Corinthians chegou a um acordo com o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, para adquiri-lo.
Elenco queria permanência
Fabinho era muito respeitado e querido pelo elenco. O ex-executivo de futebol teve o nome exaltado pelos jogadores que estavam no trio elétrico durante a festa do título da Copa do Brasil, na Neo Química Arena, na segunda-feira.
O meia Rodrigo Garro pediu para que o profissional pegasse o microfone e mandasse um recado à torcida. Na sequência, Gustavo Henrique puxou o grito de “fica, Soldado”. Torcedores presentes em Itaquera também reforçaram a campanha levantada pelo defensor.
Memphis Depay, que já defendeu o trabalho de Fabinho Soldado em entrevistas nos últimos meses, fez questão de exaltá-lo no vestiário do Maracanã, logo depois da final contra o Vasco. Naquela oportunidade, inclusive, o atacante holandês disse que o executivo era vítima de pressão política no Parque São Jorge.
Fabinho foi o responsável por conduzir as conversas para a chegada do atacante ao Corinthians, em 2024, e na ocasião chegou a viajar à Holanda para fechar o contrato. De lá para cá, os dois estreitaram laços e nutriram boa relação.
A reapresentação corintiana está prevista para 3 de janeiro, quando a cúpula alvinegra deve se reunir com o elenco e comentar as mudanças no comando do futebol do clube.
Além dos atletas, o técnico Dorival Júnior tinha estreita relação com Fabinho e elogiava o trabalho dele. Dorival também demonstrou incômodo com a pressão política sobre o dirigente. O contrato do treinador com o Timão vai até o fim do ano que vem.
Futuro
Nos últimos meses, Fabinho Soldado recebeu sondagens de outros clubes do futebol brasileiro e viu seu nome ser valorizado no mercado. O Internacional mostrou interesse em contratá-lo.
Antes mesmo de selar a saída do diretor, na noite da última terça-feira, o Corinthians já tinha definido o perfil de um substituto para o diretor executivo de futebol e até mesmo sondado profissionais no mercado da bola.
Nas últimas semanas, interlocutores do presidente Osmar Stabile consultaram a situação de três profissionais:
- Alessandro Brito, diretor de gestão esportiva do Botafogo;
- Thiago Scuro, diretor geral do Monaco;
- Paulo Pelaipe, antes de ele fechar com o Grêmio, no começo deste mês.
Nenhuma das negociações avançou, até por causa da indefinição em relação a Fabinho. O Timão também entendeu que os profissionais sondados ganham mais do que o clube pode pagar. Brito renovou recentemente com o Botafogo até 2029, enquanto Thiago Scuro pensa em alçar voos mais altos na Europa.
O Corinthians deseja contratar um profissional atualizado e experiente no mercado brasileiro, com conhecimentos jurídicos e administrativos, e hábil para negociar.




