Turismo indígena impulsiona economia e fortalece identidade cultural do Acre

Os festivais culturais realizados por povos indígenas estão se consolidando como um dos principais motores do turismo no Acre. Além de preservar tradições ancestrais, os eventos atraem visitantes do Brasil e do exterior, movimentam a economia local e ajudam a promover o estado como um destino voltado ao turismo de experiência e sustentabilidade é tema de Trabalho de Conclusão de Curso.

A conclusão faz parte do estudo “Cultura Indígena Associada ao Turismo: um estudo de caso do Etnoturismo no Estado do Acre”, desenvolvido pela pesquisadora Adalgisa Bandeira de Araújo. A pesquisa analisa como a cultura dos povos originários passou a integrar a estratégia turística acreana e o papel do poder público na construção dessa identidade.

Segundo o levantamento, o processo começou há cerca de 25 anos, quando encontros culturais promovidos pelo governo estadual aproximaram lideranças indígenas e gestores públicos. O marco inicial ocorreu em 2000, durante o I Encontro de Cultura Indígena no Acre, realizado em Rio Branco. A iniciativa deu origem ao fortalecimento dos festivais indígenas que, ao longo dos anos, se transformaram em importantes atrativos turísticos do estado.

Hoje, o Acre possui 35 Terras Indígenas reconhecidas, distribuídas entre 15 etnias e 246 aldeias. Muitas dessas comunidades realizam festivais que integram o calendário oficial de eventos turísticos do estado. Em 2024, foram registrados 23 festivais indígenas promovidos por dez etnias em 18 aldeias. Já em 2025, o número passou para 26 eventos, demonstrando o crescimento e a consolidação do segmento.
A pesquisa destaca que os visitantes buscam uma imersão na cultura indígena por meio de danças, cantos tradicionais, artesanato, culinária e vivências comunitárias. O turismo desenvolvido nas aldeias é baseado no protagonismo das próprias comunidades, seguindo os princípios do turismo responsável e do turismo de base comunitária.

O interesse internacional pelo etnoturismo acreano também chama atenção. De acordo com dados citados no estudo, entre 2022 e 2023 os turistas estrangeiros que mais visitaram o Acre vieram dos Estados Unidos, Alemanha, Portugal, França e Espanha. Em muitas aldeias, os visitantes internacionais representam a maior parte do público.

Além da valorização cultural, os impactos econômicos são significativos. O estudo aponta que aldeias que recebem turistas podem registrar receitas anuais entre R$ 150 mil e R$ 2 milhões. Os recursos ajudam a fortalecer as comunidades, gerar renda e incentivar a preservação das tradições e dos territórios indígenas.

Outro fator apontado pela pesquisa é a crescente visibilidade conquistada pelos povos indígenas acreanos. Lideranças que participaram dos primeiros movimentos culturais hoje são convidadas para eventos nacionais e internacionais relacionados à cultura, ao meio ambiente e ao turismo, ampliando a divulgação do Acre no cenário global.


Para os pesquisadores, o turismo indígena representa uma alternativa sustentável de desenvolvimento. Além de gerar oportunidades econômicas, a atividade contribui para a preservação cultural, a proteção ambiental e o fortalecimento da autonomia das comunidades. O estudo conclui que os festivais culturais indígenas se tornaram uma das expressões mais autênticas da identidade acreana e um dos segmentos turísticos de maior potencial para o futuro do estado.