Plataforma China–Brasil reúne instituições de pesquisa dos dois países e o IFPRI para desenvolver soluções em rastreabilidade, financiamento verde e produção de baixo carbono
O Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) e parceiros internacionais apresentaram, em 3 de novembro, em Sanya, na China, uma agenda conjunta de pesquisa e cooperação para ampliar a sustentabilidade do comércio de soja e carne bovina entre os dois países. Entre as prioridades estão a rastreabilidade dos produtos, o financiamento para a adoção de práticas sustentáveis e a redução das emissões de carbono nas cadeias produtivas.
A agenda integra a Plataforma China–Brasil, criada pelo FGV Agro, pelo Centro de Pesquisa Agrícola Internacional da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CIAR–CAAS) e pelo Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares (IFPRI). A apresentação ocorreu durante o 8º Fórum Global de Líderes em Ciência e Tecnologia Agrícola (GLAST 2026), no evento paralelo “Scie4 Prosperity: Global South Dialogue”, e marcou também o lançamento do site da iniciativa.
Durante o GLAST 2026, o presidente da Fundação Getulio Vargas, Carlos Ivan Simonsen Leal, formalizou a ampliação do memorando de entendimento (MoU) entre a FGV e a Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS), fortalecendo a cooperação entre as instituições.
Com foco inicial na soja e na carne bovina, a Plataforma conecta pesquisas e experiências dos dois países para apoiar decisões de produtores, empresas e governos. O objetivo é conciliar produtividade, conservação dos recursos naturais e segurança alimentar, além de estimular o comércio e os investimentos agrícolas sustentáveis.
“Para tornar essas cadeias mais sustentáveis, precisamos de soluções que façam sentido tanto para quem produz quanto para quem compra. Ao aproximar instituições de pesquisa do Brasil e da China, queremos reunir conhecimento científico para apoiar os produtores, orientar decisões e ampliar as oportunidades de comércio”, afirma Guilherme Bastos, do FGV Agro.
Cinco áreas prioritárias
A agenda da Plataforma está estruturada em cinco áreas:
- Agenda 2050 para a soja e a carne bovina sustentáveis: construção de uma base comum de referência para projetar a evolução da oferta, da demanda e dos desafios de sustentabilidade nos dois países.
- Rastreabilidade: análise de como ferramentas de rastreabilidade, sistemas de certificação e protocolos de produção livre de desmatamento podem apoiar a aquisição de produtos de origem sustentável.
- Financiamento verde: mecanismos e políticas que favoreçam a adoção de práticas e tecnologias sustentáveis pelos produtores, incluindo fluxos de financiamento verde da China para o Brasil.
- Alinhamento de critérios de sustentabilidade: maior alinhamento entre as taxonomias de sustentabilidade e as políticas relacionadas ao tema nos dois países.
- Desenvolvimento sustentável das cadeias de valor de alimentos: estratégias de cooperação tecnológica para reduzir os riscos de desmatamento associados às cadeias da soja e da carne bovina.
Para avançar nessas frentes, a Plataforma combina pesquisas voltadas à formulação de políticas públicas, notas de recomendações, seminários, visitas bilaterais e oportunidades de capacitação para pesquisadores em início de carreira dos dois países.
“As cadeias da soja e da carne bovina conectam os sistemas alimentares da China e do Brasil. Ao promover um diálogo apoiado em evidências científicas sobre rastreabilidade, financiamento verde e padrões comuns, podemos fazer desse comércio uma força a favor da sustentabilidade”, afirma Kevin Chen, do IFPRI.
Um ponto de encontro para conhecimento e cooperação
O site lançado no evento reúne publicações, materiais de referência sobre políticas públicas, notícias e eventos da Plataforma. Também funciona como porta de entrada para sua rede de membros, que oferece acesso aos resultados das pesquisas, participação nas atividades e apoio à apresentação de tecnologias e à identificação de parceiros nas cadeias de valor sustentáveis que conectam China e Brasil.
“A cooperação científica é essencial para tornar as cadeias de valor mais sustentáveis. A Plataforma aproxima pesquisadores, formuladores de políticas públicas e empresas do Brasil e da China para que possam desenvolver, juntos, respostas aos desafios que os dois países compartilham”, destaca Jieying Bi, do CIAR–CAAS.




